Peixe fresco em Manguinhos
Menino-criança separa um montinho de menores dos pequenos camarões, que é "pra pescar à noite".
Vai desenrolando a nota de um real do bolso da camisa.
- Já é seu - diz o pescador. Não é nada não, meu filho, pode pegar - sem levantar os olhos dos camarões que, um a um, perdiam as cabeças.
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-Hoje cedo estava chovendo muito. Ninguém quis ir para o mar. Eu saí eram 6 horas e olha o tanto de pescadinho que peguei. Graças a Deus! O que não pode é deixar mulher agarrar o travesseiro. Mulher boa é a que fala: "Vai mesmo, vai trabalhar!"
- E tem que vir é todo dia. Final de semana saí 4, 5 horas da manhã. É melhor que meu emprego, de 20 anos, com carteira assinada. Aqui tem dia em que tiro cinqüenta, setenta, cem. Mas também tem dia em que não pego nada, não dá nem para comer.
E o peixe a clarear, cinza à branco, tiras de escamas a voar. Saltos sobre a mesa de madeira à beira-mar, na camisa de marinheiro do pescador. Pedaços de peixe em seus braços e mãos faziam do pescador e do pescado uma coisa só.
Vai desenrolando a nota de um real do bolso da camisa.
- Já é seu - diz o pescador. Não é nada não, meu filho, pode pegar - sem levantar os olhos dos camarões que, um a um, perdiam as cabeças.
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-Hoje cedo estava chovendo muito. Ninguém quis ir para o mar. Eu saí eram 6 horas e olha o tanto de pescadinho que peguei. Graças a Deus! O que não pode é deixar mulher agarrar o travesseiro. Mulher boa é a que fala: "Vai mesmo, vai trabalhar!"
- E tem que vir é todo dia. Final de semana saí 4, 5 horas da manhã. É melhor que meu emprego, de 20 anos, com carteira assinada. Aqui tem dia em que tiro cinqüenta, setenta, cem. Mas também tem dia em que não pego nada, não dá nem para comer.
E o peixe a clarear, cinza à branco, tiras de escamas a voar. Saltos sobre a mesa de madeira à beira-mar, na camisa de marinheiro do pescador. Pedaços de peixe em seus braços e mãos faziam do pescador e do pescado uma coisa só.