1/02/2007

(no aeroporto) - Pílula II


- Um expresso, por favor.
- Puro ou com leite?
Não entendo. Pedi um café, se desejasse algo mais no café teria dito “Um pingado, por favor”. Pronto!
Certa vez, eu devia ter 10 anos, deixa aí uma margem de erro de 2 anos para mais ou para menos, e comia um pão de queijo na lanchonete da esquina (da minha casa), como de costume, quando chegou um cliente novo.
- Um misto-quente, por favor.
- Com queijo e presunto ou só com queijo?
Ah, mas o cara não ficou puto? Só faltou bater na Adriana (a moça é uma das poucas xarás que já conheci)!
- Eu disse misto! Mis-to, o nome mesmo diz, não vê? Leva queijo e presunto - esbravejou.
- Desculpa, mas é que tem gente que não gosta de presunto, aí eu tenho que perguntar, né!
O sujeito não precisava ser grosso, mas concordo que se ele quisesse sem presunto, pediria um queijo quente ou acrescentaria “Sem presunto, por favor!”.
Mas eles sempre perguntam, gostam de gastar saliva.

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Hora de pagar.
- Dois reais.
Na carteira, uma nota de R$10 e uma de R$5. Que saco, odeio ter que pegar troco. E aposto que a mulher do caixa também. Fazer o quê? Dá 5 lá. Toma 3 cá.
Preguiça de guardar na carteira, vai no bolso mesmo.
“Ué, tem alguma coisa aqui!”
Duas notas de 1 real bem amassadinhas...
Isso me lembra uma passagem de Fama e Anonimato, de Gay Talese, em que ele descreve brilhantemente, entre outras coisas, a rotina de Nova York, com o olhar atento aos detalhes que passam desapercebidos por pessoas comuns. Talese escreve que, às seis da manhã, a caixa de dinheiro dos ônibus fica cheia de moedas, isso porque as pessoas que usam o transporte coletivo nesse horário também pertencem à classe trabalhadora e procuram ajudar o motorista, pagando com a quantia exata.
E eu nem para enfiar a mão no bolso para procurar trocado.